DE OLHO NA POLÍTICA – Enquanto o eleitor observa, eles fazem as contas

As convenções terminaram, os candidatos estão definidos e, em Jataúba, começou uma eleição dentro da eleição. Enquanto publicamente os discursos estão voltados para outubro de 2026, nos bastidores algumas lideranças já fazem contas pensando dois anos adiante. A sucessão municipal de 2028 entrou definitivamente no radar.
Nos últimos dias, reuniões reservadas passaram a fazer parte da agenda dos principais grupos políticos do município. O objetivo imediato é organizar a campanha, dividir tarefas, montar agendas e estabelecer estratégias para entregar votos aos candidatos apoiados por cada liderança. Mas seria ingenuidade imaginar que as conversas terminam em outubro.
PESQUISAS – 2026 será também um teste de força para 2028.
Cada grupo quer saber quem realmente tem voto, quem consegue mobilizar eleitor, quem transfere apoio para seus candidatos e, principalmente, quem sairá das urnas credenciado para sentar-se à mesa quando começar a discussão sobre a sucessão municipal. E foi justamente nesse ambiente que algumas pesquisas começaram a circular.
Levantamentos realizados recentemente em Jataúba teriam colocado na mesa cenários eleitorais e avaliações de nomes conhecidos da política local. Parte dessas consultas também teria olhado para 2028. E aí veio a surpresa: os números encontrados não teriam confirmado exatamente aquilo que alguns grupos imaginavam. Nos bastidores, há quem tenha gostado muito do que viu. Há também quem tenha ligado o sinal de alerta.
Alguns nomes teriam apresentado força maior do que aquela percebida nas conversas tradicionais da política, enquanto outros, tratados até então como naturalmente competitivos, não teriam encontrado nos números a mesma tranquilidade. É justamente aí que a temperatura aumenta.
SITUAÇÃO
No grupo da situação, onde nomes como Chico de Irineu e Josemir aparecem naturalmente nas conversas sobre o futuro, cada movimentação de 2026 também será observada pela capacidade de articulação e de entrega eleitoral. A eleição deste ano poderá fortalecer projetos, antecipar discussões ou até obrigar o grupo a recalcular a rota pensando na sucessão da prefeita Cátia.
OPOSIÇÕES
Do outro lado, a oposição também terá sua prova de fogo. Antônio de Roque, Pólito, Fábio Mamão, Pólito, Buru, Maviael e outras lideranças chegam a 2026 diante de um cenário no qual os apoios estaduais não necessariamente caminham na mesma direção. Se os números que circulam reservadamente forem confirmados pelas urnas, algumas lideranças poderão serão obrigadas a encarar uma pergunta incômoda: o tamanho que possuem nas conversas de bastidores é o mesmo que possuem diante do eleitor?
No fim das contas, a oposição terá em outubro algo maior do que uma eleição estadual para enfrentar. Terá um teste de sobrevivência política pensando em 2028. Porque quantidade de nomes nunca foi sinônimo de força eleitoral. Sem unidade, estratégia e capacidade de transferência de votos, a oposição pode chegar à próxima eleição municipal com muitos candidatos a protagonista — e nenhum projeto suficientemente forte para protagonizar a disputa.
Existe ainda uma terceira questão que começa a despertar curiosidade: será que os nomes hoje colocados na mesa serão realmente os protagonistas daqui a dois anos?
As pesquisas teriam deixado essa pergunta ainda mais interessante. Os números permanecerão guardados a sete chaves, exceto para algumas pessoas de ‘confiança’, que também tem acesso aos números. Mas uma coisa parece clara nos bastidores: teve gente comemorando, teve gente surpresa e também teve gente que provavelmente preferia não ter visto o resultado.
Por isso, acompanhe atentamente as fotografias, reuniões, visitas, caminhadas e demonstrações de apoio dos próximos meses. Nem todo abraço será apenas por 2026. Nem toda reunião estará discutindo somente outubro. E nem todo candidato apoiado será escolhido exclusivamente pensando na eleição deste ano.
Em Jataúba, 2026 já virou o primeiro turno de 2028.
E se as pesquisas que circulam reservadamente estiverem apontando corretamente o sentimento do eleitorado, o tabuleiro da próxima eleição municipal pode estar bem diferente daquele que alguns imaginavam. As urnas de outubro ajudarão a responder. Até lá, cada grupo fará o possível para mostrar força — e, principalmente, esconder suas fraquezas.
Por isso, talvez Cazuza ajude a resumir bem o momento vivido nos bastidores da política jataubense: “O tempo não para.” E em Jataúba, muito menos a política. Porque enquanto 2026 ocupa os palanques, 2028 já ocupa as mesas de reunião.
