Quando o aliado é seu principal adversário: divisão em Santa Cruz redesenha votação de Diogo

A eleição de 2026 trouxe uma mudança importante no mapa eleitoral de Diogo Moraes. Mesmo alcançando 46.029 votos em Pernambuco, sua votação sofreu alterações significativas em municípios onde tradicionalmente mantinha bases políticas, especialmente na região do Polo de Confecções. O caso mais emblemático aconteceu em Santa Cruz do Capibaribe. Diogo, que havia conquistado 13.402 votos em 2022, terminou 2026 com 5.195, uma redução de 8.207 votos.
A candidatura de Fábio Aragão é um elemento importante para compreender essa mudança. Ex-prefeito de Santa Cruz e integrante do mesmo grupo político, Fábio entrou na disputa estadual fazendo com que lideranças e eleitores que anteriormente estavam reunidos no mesmo campo passassem a ter dois nomes ligados ao grupo na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa. Isso não significa que os votos conquistados por Fábio pertenceriam automaticamente a Diogo caso ele não fosse candidato. O eleitorado não pode ser transferido dessa maneira. Entretanto, politicamente, houve uma divisão objetiva da base, com dois candidatos disputando espaço dentro do mesmo ambiente eleitoral.
E Santa Cruz não foi o único ponto de atenção. Diogo também registrou redução em municípios importantes da região. Em Taquaritinga do Norte, passou de 4.549 votos em 2022 para 2.444 em 2026. Em Jataúba, caiu de 5.360 para 4.183. Ao mesmo tempo, conseguiu avançar em outros municípios, mostrando que sua votação passou por uma redistribuição territorial. É justamente aí que está uma das principais leituras da eleição de Diogo: ele conseguiu ampliar sua votação total em Pernambuco, mas perdeu votos em parte de sua base regional tradicional. Por isso, atribuir o resultado exclusivamente à candidatura de Fábio seria uma análise incompleta. A eleição para deputado estadual é proporcional e envolve desempenho partidário, distribuição de votos pelo Estado, alianças municipais e a votação dos demais candidatos.
Mas também seria difícil ignorar o que aconteceu em Santa Cruz. A entrada de Fábio transformou uma eleição que antes poderia concentrar boa parte do grupo em torno de Diogo numa disputa interna pelo mesmo território político. Enquanto Diogo buscava ampliar sua votação em Pernambuco, precisava também administrar a redução de sua principal base. No final, Fábio Aragão conquistou uma cadeira na Alepe e Diogo ficou na suplência. Mais do que apontar culpados, os números mostram uma mudança no equilíbrio político da região: Diogo ampliou sua votação estadual, mas perdeu força em redutos importantes; Fábio construiu sua eleição principalmente a partir de Santa Cruz; e o grupo que antes caminhava com maior concentração eleitoral chegou a 2026 dividido entre dois projetos.
Quando o aliado se torna também concorrente pelo mesmo eleitor, a disputa deixa de acontecer apenas contra quem está do outro lado. Passa a acontecer dentro da própria base.
