DEBATES EM PERNAMBUCO – QUANDO FALTA RESPOSTA, SOBRA ACUSAÇÃO

Por Diógenes Ramos
Tem algo curioso nos debates pelo Governo de Pernambuco: algumas perguntas entram no estúdio procurando uma resposta e saem de lá carregando uma acusação.
É quase um roteiro. O candidato é questionado sobre um problema concreto do Estado. A pergunta exige números, prazo, planejamento. Mas, antes que a resposta apareça, surge o salário da governadora. Depois, o concurso público. Em seguida, alguma pendência política do passado. E pronto: a pergunta original já ficou pelo caminho.
Na política, quando a resposta é difícil, mudar o assunto pode ser uma estratégia bastante conveniente. O problema é que Pernambuco não cabe nessa estratégia. O pernambucano que enfrenta uma estrada esburacada não está particularmente interessado em saber quem furou fila de concurso. Quem espera água em casa quer saber quando a água vai chegar — e não necessariamente quanto ganha quem ocupa o Palácio do Campo das Princesas. Quem precisa de atendimento médico quer saber onde está o serviço, quanto tempo vai esperar e quem será atendido.
E aqui está a grande ironia dos debates: os candidatos falam muito sobre Pernambuco, mas nem sempre conseguem fazer o debate falar dos problemas de Pernambuco.
Não há problema algum em cobrar explicações sobre salário, concurso ou qualquer outro episódio que tenha relevância pública. O eleitor tem o direito de conhecer os fatos e cobrar responsabilidades. Mas transformar cada pergunta incômoda em munição contra o adversário não pode ser confundido com apresentar um projeto de governo. A política pernambucana parece, em alguns momentos, presa a uma espécie de campeonato de quem consegue desenterrar mais rapidamente o passado do adversário.
Enquanto isso, o futuro fica esperando do lado de fora do estúdio. E talvez seja essa a parte mais incômoda para todos os lados: é muito mais fácil apontar o erro do outro do que explicar como se pretende resolver o problema de quem está ouvindo.
A PE-145 não quer saber quem venceu a discussão no debate. A PE-160 também não. A torneira seca não tem preferência partidária. O paciente na fila do hospital não está preocupado com a biografia eleitoral de ninguém. O aluno que precisa de uma escola melhor tampouco. Esses problemas não votam, não fazem provocação e não levantam a voz. Mas estarão lá no dia seguinte à eleição.
Por isso, talvez esteja na hora de alguém avisar aos candidatos que o debate não deveria ser uma sessão de acerto de contas transmitida em horário nobre. Pernambuco não precisa de mais uma rodada de “você fez isso” e “você fez aquilo”. Precisa ouvir o clássico — e aparentemente cada vez mais raro — “eu vou fazer isso, assim, com esse dinheiro e neste prazo”.
No fim, a entrelinha é simples: quando todos querem falar do passado do adversário, quem acaba ficando sem voz é o próprio Estado.
E Pernambuco, convenhamos, já tem problemas demais para ainda precisar disputar espaço com a briga dos outros.
O eleitor não está pedindo um ringue. Está pedindo um governo.
