Milhões na corrida pelo Governo: despesas revelam estratégias diferentes de Raquel, João e Ivan

A disputa pelo Governo de Pernambuco também acontece longe dos palanques, dentro das planilhas de prestação de contas. Os dados disponibilizados pela Justiça Eleitoral no DivulgaCandContas mostram que Raquel Lyra (PSD), João Campos (PSB) e Ivan Moraes (PSOL) adotaram estruturas financeiras bastante distintas nesta campanha.
Na primeira prestação parcial, Raquel Lyra declarou R$ 7.631.639,12 em despesas contratadas, enquanto João Campos registrou R$ 4.567.993,72 e Ivan Moraes, R$ 453.259,49. Somados, os três ultrapassam R$ 12,6 milhões em gastos declarados.
A diferença de escala é significativa. Raquel gastou, até o período considerado, cerca de 16,8 vezes o montante declarado por Ivan, enquanto João gastou aproximadamente 10 vezes mais que o candidato do PSOL. Raquel e João, sozinhos, concentram a grande maioria das despesas registradas entre os candidatos ao Governo de Pernambuco.
Raquel: estrutura pesada e forte contratação de serviços
A campanha de Raquel Lyra apresenta o maior volume financeiro entre os três. Dos R$ 7,63 milhões declarados, aproximadamente R$ 4,5 milhões aparecem relacionados a serviços prestados por terceiros, tornando essa a principal rubrica da candidatura. Outro valor que chama atenção está na produção de jingles, vinhetas e slogans, na casa de R$ 1 milhão. Também aparecem despesas expressivas com publicidade e material de campanha.
A composição sugere uma campanha sustentada por uma estrutura profissional ampla, envolvendo comunicação, produção e serviços especializados. Isso não permite, por si só, avaliar a eficiência eleitoral desses gastos, mas mostra onde a candidatura concentrou recursos nesta etapa da campanha. Raquel também apresenta uma capacidade de financiamento significativamente superior: foram declarados aproximadamente R$ 12 milhões em receitas, com a maior parcela proveniente do diretório nacional do PSD.
João aposta forte em vídeo, gráfica e internet
Se Raquel apresenta maior volume total, os números de João Campos mostram uma distribuição particularmente concentrada na comunicação eleitoral. Dos R$ 4,56 milhões declarados, aproximadamente R$ 1,156 milhão foi destinado à produção de programas de rádio, televisão ou vídeo, correspondendo a cerca de 25% das despesas.
Na sequência aparecem R$ 955 mil em impulsionamento de conteúdos, aproximadamente R$ 876,4 mil em materiais impressos e R$ 466 mil em adesivos. Outros R$ 353 mil aparecem classificados como serviços prestados por terceiros. Somando apenas produção audiovisual, impulsionamento, materiais impressos e adesivos, chega-se a aproximadamente R$ 3,45 milhões, o equivalente a cerca de três quartos das despesas declaradas pela candidatura.
O dado evidencia o peso da comunicação na estrutura financeira da campanha de João. Só em impulsionamento foram declarados R$ 955 mil, dos quais R$ 565 mil aparecem relacionados à Meta, responsável por Facebook e Instagram. Entre os fornecedores também aparecem valores relevantes destinados a gráficas, produtoras audiovisuais, empresas de tecnologia e comunicação, além de R$ 100 mil destinados a pesquisas ou testes eleitorais.
Ivan trabalha com estrutura financeira muito menor
No caso de Ivan Moraes, a realidade financeira é bastante diferente. O candidato do PSOL declarou R$ 453.259,49 em despesas, dos quais apenas cerca de R$ 89 mil estavam efetivamente pagos no período da prestação parcial.
A principal concentração também está na contratação de serviços. Dados divulgados a partir das informações do TSE apontam aproximadamente R$ 265 mil em serviços prestados por terceiros e cerca de R$ 92 mil ligados a publicidade e produção audiovisual.
Entre os fornecedores aparecem serviços de produção audiovisual, advocacia, comunicação e profissionais contratados para diferentes atividades da campanha. Ivan declarou aproximadamente R$ 660 mil em receitas, sendo R$ 450 mil provenientes da direção nacional do PSOL e R$ 200 mil da direção nacional da Rede.
Três campanhas, três dimensões financeiras
Os números ajudam a dimensionar a diferença estrutural entre as candidaturas.
Raquel Lyra: R$ 7,63 milhões em despesas
João Campos: R$ 4,57 milhões
Ivan Moraes: R$ 453,2 mil
Para efeito de comparação, Raquel declarou cerca de R$ 3,06 milhões a mais em despesas que João. Já a distância entre João e Ivan é superior a R$ 4,1 milhões.
Há também uma diferença interessante na forma como os recursos aparecem distribuídos. Na campanha de Raquel, a rubrica de serviços prestados por terceiros possui peso especialmente elevado. João apresenta forte concentração em produção audiovisual, material gráfico e divulgação digital. Ivan, embora numa escala financeira muito menor, também direciona parcela relevante dos recursos para serviços e comunicação.
O digital virou uma das arenas mais caras
Outro aspecto relevante dos dados é o espaço ocupado pela comunicação digital. O caso de João Campos é particularmente evidente: R$ 955 mil em impulsionamento, valor que sozinho supera em mais de duas vezes todas as despesas declaradas pela campanha de Ivan Moraes.
A comparação não determina qual estratégia produz maior retorno eleitoral. Ela demonstra, porém, o tamanho das diferenças de recursos disponíveis e das escolhas feitas pelas campanhas para disputar atenção do eleitor.
E há uma ressalva indispensável: despesa contratada não significa necessariamente despesa já paga. A própria Justiça Eleitoral diferencia os dois conceitos, e a prestação parcial representa apenas uma fotografia da campanha naquele momento. Novos contratos, pagamentos e correções podem modificar substancialmente os números até a prestação definitiva.
Com a campanha entrando na reta decisiva, o DivulgaCandContas passa a oferecer também outra leitura da eleição pernambucana: além da disputa por votos, existe uma verdadeira batalha pela capacidade de transformar recursos financeiros em presença nas ruas, televisão, materiais de campanha e, cada vez mais, nas telas dos celulares.
Dados: DivulgaCandContas
