Mamão retorna a Bruno Marques (PSB) e decisão expõe a difícil matemática eleitoral de Diogo Moraes (PSB)

A decisão de Fábio Mamão de retomar o apoio a Bruno Marques movimenta o cenário político de Jataúba e revela uma equação eleitoral bem mais ampla envolvendo o deputado estadual Diogo Moraes.
Segundo Mamão, havia um entendimento para que, em contrapartida ao seu apoio, Diogo fizesse um gesto eleitoral em favor de Bruno Marques em outro reduto. Na versão apresentada pelo ex-vice-prefeito, o acordo não avançou como esperado, levando-o a retornar ao projeto de Bruno.
A situação, porém, precisa ser observada também pela ótica eleitoral de Diogo. Em 2022, o parlamentar terminou como primeiro suplente do PSB e somente assumiu uma cadeira na Alepe após Rodrigo Novaes, eleito deputado estadual, deixar o mandato para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado. Agora, Diogo busca conquistar diretamente nas urnas sua permanência na Assembleia.
E a disputa ficou ainda mais complexa com a candidatura de Fábio Aragão. Os dois possuem origem no mesmo grupo político de Santa Cruz do Capibaribe, mas, em 2026, esse grupo chegou dividido: uma parcela das lideranças permaneceu com Diogo, enquanto outra passou a trabalhar pela eleição de Fábio.
É justamente essa divisão que ajuda a compreender a dificuldade de Diogo em eventualmente ceder redutos para outros candidatos. Com parte de sua tradicional base política disputada por Fábio, abrir mão de algumas centenas ou milhares de votos em outros municípios poderia significar enfraquecer a própria candidatura.
O retorno de Mamão a Bruno Marques, portanto, vai além de uma mudança de apoio em Jataúba. O episódio expõe o choque entre acordos políticos e sobrevivência eleitoral: Mamão cobra o entendimento que afirma ter sido firmado; Diogo, diante de uma eleição mais complicada e de uma divisão dentro do próprio grupo em Santa Cruz, precisa preservar cada espaço possível.
No fim, fica uma questão que resume bem o momento: como ceder redutos a outros candidatos quando o principal reduto político está dividido?
